# ITI confirma fraudes com deepfake na ICP-Brasil — AR Eletrônica nasce como resposta normativa

**Categoria:** Segurança

**Meta:** Por Leandro Albertini | 04 mai 2026 | Atualizado em 04 mai 2026 | 10 min de leitura

![ITI confirma fraudes com deepfake na ICP-Brasil — AR Eletrônica nasce como resposta normativa](https://seloeletronico.com.br/assets/img/og/iti-confirma-fraudes-deepfake-icp-brasil-ar-eletronica-resposta-normativa-16x9.webp)

## Resumo

> O Diretor de Auditoria do ITI, Pedro Cardoso, confirmou pela primeira vez de forma pública e oficial que houve fraudes com deepfake na cadeia ICP-Brasil nos últimos dois anos e meio. Até 24 de abril de 2026, o ITI combatia essas fraudes apenas com ofícios circulares, sem força normativa. A nova Pauta 3 endurece as regras com Liveness Detection 3D obrigatório e match biométrico (match biométrico) para 100% dos certificados — não apenas os emitidos pela AR Eletrônica.

Por dois anos e meio, o regulador da identidade digital brasileira combateu uma ameaça sem ter força normativa para fazê-lo. Em 24 de abril de 2026, durante a reunião do Comitê Gestor da ICP-Brasil que aprovou a AR Eletrônica, o ITI virou essa página de forma definitiva — e fez questo de tornar públicas as razões que sustentam o endurecimento.

Pela primeira vez de forma oficial, o órgão reconheceu que houve fraudes com deepfake dentro da cadeia ICP-Brasil. E, na mesma sessão, transformou em norma vinculante o que antes era apenas recomendação: o uso de Liveness Detection 3D de alta resolução para toda a indústria e a obrigatoriedade do match biométrico para 100% dos certificados emitidos. A AR Eletrônica, neste contexto, não é apenas conveniência — é resposta normativa.

## O que o ITI confirmou sobre fraudes com deepfake na ICP-Brasil?

O reconhecimento veio do Diretor de Auditoria do ITI, Pedro Cardoso, durante a apresentação da Pauta 3. A passagem é técnica, mas histórica: é a primeira vez que o regulador admite, em ato público, que ataques com deepfake afetaram, ainda que em proporções pequenas, a infraestrutura de chaves públicas brasileira.

“Nós tínhamos enfrentado, pelo menos há dois anos e meio, quase três anos, em proporções muito pequenas, mas fraudes onde utilizavam-se de deepfake”, declarou Cardoso. — *Pedro Cardoso, Diretor de Auditoria do ITI, em reunião do Comitê Gestor da ICP-Brasil, 24/04/2026.*

O reconhecimento veio acompanhado de um diagnóstico claro sobre a evolução do problema: “Esses ataques estão mais sofisticados, agora com a parte de inteligência artificial”. — *Pedro Cardoso, Diretor de Auditoria do ITI, em reunião do Comitê Gestor da ICP-Brasil, 24/04/2026.*

Trata-se da combinação que, há pouco tempo, era apenas hipotética: ferramentas generativas de IA capazes de fabricar vídeos sintéticos próximos do real, integradas a técnicas de injeção de vídeo (que substituem o feed da câmera por um stream pré-fabricado) e de circumvenção dos sistemas de prova de vida 2D tradicionais. O ITI confirma que essa combinação não ficou no plano teórico — chegou ao mundo real.

## Por que o ITI não conseguia combater essas fraudes antes da Pauta 3?

A confissão mais reveladora da reunião talvez tenha sido sobre as ferramentas disponíveis ao regulador antes desta nova rodada normativa. Pedro Cardoso explicou que o ITI vinha agindo, mas dentro de um arsenal limitado: “Nós tínhamos enfrentado com conscientização, com ofícios circulares, sugerindo fortemente mudança de procedimento, mas sem uma força normativa”. — *Pedro Cardoso, Diretor de Auditoria do ITI, em reunião do Comitê Gestor da ICP-Brasil, 24/04/2026.*

A frase escancara o ponto: o regulador identificava o problema, comunicava o mercado, recomendava medidas — mas não tinha uma resolução que tornasse o uso de Liveness Detection 3D ou de match biométrico obrigatório. Cada AC e cada AR decidia se ia ou não adotar; algumas avançavam, outras seguiam com o mínimo legal. A heterogeneidade da resposta criava brechas.

Camolesi, o presidente do ITI, foi mais explícito sobre o esforço do órgão nesse intervalo: “O ITI tem atuado nesses últimos dois anos muito pesadamente nas questões de fraude. Nós estamos desenvolvendo, inclusive, ferramentas de IA que nos auxiliem no combate à fraude”. — *Nilson Camolesi, Presidente do ITI, em reunião do Comitê Gestor da ICP-Brasil, 24/04/2026.*

O recado é implícito: o regulador está usando IA para defender a infraestrutura, ao mesmo tempo em que enfrenta atacantes que também usam IA. É uma corrida tecnológica em curso — e a Pauta 3 é a primeira peça regulatória que se equipara à sofisticação do problema enfrentado.

## Quais são as novas regras antifraude aprovadas em 24 de abril de 2026?

A Pauta 3 introduz três endurecimentos simultâneos, que se reforaram mutuamente:

1. **Liveness Detection 3D obrigatório** para toda a indústria, não apenas para a AR Eletrônica.
2. **Match biométrico obrigatório** para 100% dos certificados emitidos — deixa de ser “altamente recomendado” e passa a ser exigência.
3. **Bases biométricas com batimento 1:N** como regra; bases sem essa capacidade só podem ser usadas em conjunto com o PSBio, que oferece a deduplicação nativa.

Esse pacote sobe o piso de segurança de toda a infraestrutura, não apenas do canal eletrônico. É uma decisão estratégica: o ITI optou por usar a janela aberta pela viabilização da AR Eletrônica para puxar para cima o requisito antifraude do mercado todo. A descrição detalhada do match biométrico obrigatório está em [Match biométrico vira obrigatório](/blog/seguranca/match-biometrico-obrigatorio-100-certificados-icp-brasil-fim-altamente-recomendado/).

## Como o Liveness Detection 3D protege contra deepfakes?

O Liveness Detection é a tecnologia que confirma que há um ser humano vivo segurando o dispositivo no momento da captura. Existem várias gerações. A 2D, mais antiga, baseia-se em movimentos solicitados (piscar, virar a cabeça, sorrir) e em assinaturas estatísticas da imagem. Com IA generativa avançada, esses sinais ficaram possíveis de simular.

O Liveness 3D de alta resolução opera em outro patamar: analisa profundidade, paralaxe, reflexos sutis, microvibrações e outros sinais que dependem de uma face física diante de uma câmera. Foi essa modalidade que o Comitê Gestor escolheu como obrigatória.

Quem trouxe a proposta para o texto final foi Leonardo Gonçalves, em nome da sociedade civil: “Implementação de liveness detection na versão 3D de alta resolução para toda a indústria, justamente para endereçar a mitigação de fraudes e de deepfakes”. — *Leonardo Gonçalves, sociedade civil/NCD-ANCD, em reunião do Comitê Gestor da ICP-Brasil, 24/04/2026.*

Importante: o requisito vale para toda a indústria, não só para a AR Eletrônica. Quem opera com videoconferência, com presença física ou com qualquer outra modalidade também precisará adequar seus fluxos. O detalhamento técnico está em [Liveness Detection 3D vira obrigatório](/blog/seguranca/liveness-detection-3d-obrigatorio-icp-brasil-deepfake-2026/).

## O que muda para Autoridades Certificadoras e ARs com a obrigatoriedade do match biométrico?

O match biométrico obrigatório é a mudança de impacto operacional mais profundo. Até agora, o cruzamento entre a face capturada na emissão e uma base biométrica externa era apenas “altamente recomendado” — ou seja, uma boa prática que algumas Autoridades Certificadoras adotavam, mas que não era exigida em todos os fluxos.

A Pauta 3 muda esse status. Cada certificado emitido na ICP-Brasil precisa, a partir da entrada em vigor, atravessar um match biométrico contra uma base pública confiável ou contra o próprio PSBio. Para AC e AR, isso significa:

- **Adequação de fluxos** de emissão presencial, por videoconferência e eletrônica para incluir o cruzamento biométrico.
- **Integração com o serviço DataValid do Serpro** (acesso ao Senatran/Renach), com a base do passaporte e/ou com o PSBio.
- **Histórico de evidências** robôsto para auditoria do ITI, comprovando que o match biométrico ocorreu e foi positivo.

Para o cidadão, a mudança aparece em forma de dois ou três segundos a mais no momento da emissão — o tempo de a biometria ser comparada na nuvem. É um preço pequeno em troca de uma base de confiança muito maior.

## Por que essa mudança importa para quem emite Selo Eletrônico?

O Selo Eletrônico, certificado de pessoa jurídica da Cadeia V12, depende de uma cadeia de confiança que começa no e-CPF do representante legal. Se o e-CPF que ativou um Selo Eletrônico foi emitido com fraude (por exemplo, com deepfake do diretor da empresa), todo o ecossistema corporativo ancorado nesse Selo fica contaminado.

Por isso, a obrigatoriedade do match biométrico para 100% dos certificados, anunciada na Pauta 3, é especialmente relevante para empresas. Ela protege exatamente a porta de entrada que abre a emissão de Selo Eletrônico subsequente. Para Leandro Albertini, fundador do **Selo Eletrônico**, essa é a base normativa que permite ao ecossistema apostar com segurança em fluxos contínuos de venda e ativação, integrando o e-CPF emitido na AR Eletrônica ao Selo Eletrônico da empresa que aquele cidadão representa.

## Conclusão

Quem mantiver fluxos de emissão em Liveness 2D ou sem MET obrigatório depois da entrada em vigor da Pauta 3 vai ficar exposto não apenas ao risco operacional de fraude, mas também ao risco institucional de auditoria do ITI — agora amparado em norma vinculante, não mais em mera recomendação. A confirmação pública de que houve deepfakes na cadeia muda o cenário: ninguém no mercado pode mais alegar que o problema é teórico ou que está em outro lugar. Empresas, ARs e ACs que demorarem a se adequar ao novo piso de segurança vão pagar caro — em reputação, em saúde da carteira de clientes e em risco de descredenciamento. Acompanhe as próximas análises técnicas no [blog do Selo Eletrônico](https://seloeletronico.com.br/blog/).

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## Perguntas frequentes

### O ITI confirmou oficialmente fraudes com deepfake na ICP-Brasil?

Sim. Em 24 de abril de 2026, o Diretor de Auditoria do ITI, Pedro Cardoso, confirmou em reunião pública do Comitê Gestor da ICP-Brasil que houve fraudes com deepfake na cadeia, em proporções pequenas, registradas há cerca de dois anos e meio. É a primeira confirmação oficial e formal feita pelo regulador.

### Por que o ITI não conseguia combater essas fraudes antes da Pauta 3?

Porque o combate vinha sendo feito por meio de ofícios circulares e recomendações de mudança de procedimento, sem força normativa vinculante. A Pauta 3, aprovada em 24 de abril de 2026, transforma essas recomendações em obrigação: Liveness Detection 3D obrigatório, match biométrico para 100% dos certificados e exigência de bases biométricas com batimento 1:N.

### O que é Liveness Detection 3D e por que ele entra como obrigatório?

Liveness Detection 3D é a tecnologia que confirma que há um ser humano vivo, em tempo real, segurando o dispositivo de captura, analisando profundidade, micromovimentos e reflexos da face. A versão 3D de alta resolução foi tornada obrigatória para toda a indústria de certificação digital justamente para mitigar fraudes com deepfakes, cuja sofisticação aumentou com a inteligência artificial generativa.

### Como o match biométrico obrigatório protege a ICP-Brasil?

O match biométrico (Match biométrico) compara a biometria capturada no momento da emissão com a biometria armazenada em uma base pública confiável ou no PSBio. Com a obrigatoriedade aprovada na Pauta 3, todo certificado da ICP-Brasil — não apenas os emitidos via AR Eletrônica — passa a precisar desse cruzamento, dificultando ataques baseados em identidades sintéticas geradas por IA.

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Fonte: https://seloeletronico.com.br/blog/seguranca/iti-confirma-fraudes-deepfake-icp-brasil-ar-eletronica-resposta-normativa/
